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segunda-feira, 25 de maio de 2015

de pequenino é que se torce o positivo


Tendo eu o privilégio de estar em contacto todos os dias com crianças, com as quais aprendo (tudo) todos os dias, também tenho a vantagem de estar em contacto com o seu contexto e ambiente de sala de aula.
Numa altura em que se fala tanto no pensamento positivo, na parentalidade positiva, na escola positiva, corro o risco de questionar se alguém pensa que o pensamento positivo será algum tipo de comprimido, algum milagre, ou algo instantâneo que aparece assim sem mais nem menos e de um momento para o outro, quando alguém nos diz: Tu tens que pensar positivo. E num clic a nossa cabeça começa a funcionar de outra forma e em vez de ver o copo meio vazio começa a ver o copo meio cheio.
aqui falei sobre este tema, mas de uma forma dirigida a adultos, mas na verdade o pensamento positivo treina-se, e quando temos o privilégio de trabalhar com crianças, é nosso dever (digo eu, mas é SÓ a minha opinião e vale o que vale) enquanto educadores transmitires-lhes as nossas ideias, as regras, as opiniões, o mundo, de forma positiva.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ver pelo avesso



É ver para além do que está à vista, é ver por dentro, é olhar para o mais intimo gesto, para o mais peculiar desenho, é perceber o porquê daquele comportamento, é entrar no seu mundo pedindo licença para poder lá estar e partilhar.
É estar em relação.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

abracadabra


Muitas pessoas hão-de julgar, que a hipnose é coisa que pertence ao mundo do espectáculo, em que pessoas são sugestionadas a fazer determinadas coisas num estado de transe hipnótico, ou ainda como ajuda terapêutica desde que levada a cabo por um clínico experiente. Tudo isto pode parecer surreal, mas trata-se de uma técnica aceite clinicamente.
Contudo, a hipnose não está tão distante de nós quanto isso, uma vez que, é algo que todos fazemos diariamente, sem os comandos habituais (está a sentir-se cada vez mais lento) ou mesmo sem a voz monocórdica do hipnotizador. A hipnose é apenas e tão somente uma forma de aprendizagem inconsciente e cada vez que utilizamos determinadas formas de falar com os nossos filhos, conseguimos penetrar no seu inconsciente, programando-os sem que nós próprios tenhamos a consciência de que o estamos a fazer...
A má noticia é que todos os dias incutimos no nossos filhos mensagens (inputs) e caso contenham a informação errada ou distorcida podem ter repercussões para o resto da vida. "Olha que vais chegar atrasado", "És um desastrado", "És sempre a mesma coisa", "Nunca fazes aquilo que te digo", "Tiras-me do sério", "Não consigo dar conta de ti", "Não fazes nada de jeito". E podemos ficar por aqui, já deu para perceber a ideia. As crianças que ouvem constantemente este tipo de "elogios" terão uma maior propensão a dizerem perante uma crise ou dificuldade com que se deparem, que não sabem o que fazer, ou que não não são capazes de fazer seja aquilo que for.
A boa noticia é que, se já sabemos  como funciona, e já que a mente de uma criança está ávida por saber que tipo de pessoa é, quem é, se tem habilidade para fazer determinada coisa ou não, mais vale que lhe demos a imputação certa e aquela que fará dela uma pessoa mais confiante.
Vale a pena parar e contar até dez (ou até cinquenta) antes que nos saia da boca algo que, em primeiro lugar, nem sequer é verdade na maior parte dos casos, e em segundo lugar pode ter consequências quer ao nível das crenças que a criança tem acerca de si, quer acerca da forma como ela lida com essas crenças.
Vale a pena reflectir acerca de quão diferente será a vida dos nossos filhos, se eles tiverem a convicção de que são verdadeiramente o melhor do nosso mundo. 



Inspiração aqui

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

as emoções explicadas às crianças e/ou aos adultos como se fossem crianças

As emoções vistas pelo avesso, o seu papel na elaboração mental dos sentimentos e das nossas memórias efectivas. Um filme de animação a não perder para grandes e pequenos. 




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

aprendemos a sorrir


Créditos de Imagem
Por volta das seis semanas de idade, os bebés já demonstram intencionalidade nos seus sorrisos. Sorriem para os principais cuidadores, porque são aqueles que melhor conhecem.
René Spitz, psicanalista austríaco, considerava que o "sorriso é o primeiro organizador de personalidade", na medida em que, é através do sorriso que o bebé aprende a dar e a receber, aprende a ser socialmente, primeiro na sua família e depois com o mundo.
São os pais que lhe mostram esse mundo através desse sorriso e em troca ele devolve-o na expectativa de que os pais continuem a sorrir para ele.
Por isso é que devemos sempre sorrir de volta para uma criança. Ignorá-la, será destruir a sua crença de que o mundo é bom. Pam Brown.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

o significado psicológico da "fraldinha"


Conhecemos o Linus, como o irmão de Lucy e amigo de Charlie Brown da serie Peanuts. Mas este personagem é conhecido sobretudo, por nunca largar o seu cobertor azul. Também todos nós, conhecemos alguém na nossa infância que andou sempre com um cobertor ou alguma criança da família que usa uma fralda, uma chucha, ou uma corrente com três ou quatro chuchas, ou um peluche, ou tudo ao mesmo tempo. Qual é afinal o significado psicológico do "apego" a estes objectos?

Winicott, pediatra e psicanalista inglês foi o percursor no estudo destes objectos, através da observação de bebés e crianças, desenvolvendo assim o conceito de objecto transacional. que em traços gerais pode ser caracterizado como o objecto que torna possível a separação da figura materna.

Durante os primeiros meses de vida, o bebé encontra-se num estado de total dependência da mãe, ou principal cuidador, tempo este que é caracterizado por uma satisfação quase perfeita das suas necessidades, sendo que estas são satisfeitas sem que ele se esforce muito, são preenchidas quase como magicamente, os objectos surgem ao seu redor, como se fossem desejados por ele próprio. 

Decorrido este tempo, a mãe já não se encontra no estado de preocupação maternal primária, período caracterizado por um excessivo cuidado e preocupação com o bebé, o que leva à manutenção e consistência dessas mesmos cuidados, e surge então a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a satisfação imediata dos desejos do bebé e o conhecimento do mundo externo que o rodeia. Existe então uma modificação da realidade externa do bebé, sendo este é como que forçado a conhecer esse mesmo mundo: o bebé não espera simplesmente que a mãe o atenda, como também tem que chamar a sua atenção.

É nesta altura, em que o bebé está a explorar o mundo à sua volta, que os bebés de forma geral, "apegam-se" veementemente a um determinado objecto, que lhe é oferecido na maioria dos casos pela própria mãe. Existe ainda a particularidade no caso do apego a objectos, de que o bebé comece a emitir e a repetir sons que remetem para o objecto em si, assim como existem casos muito comuns em que crianças podem passar todo o dia a cheirar a fralda (objecto) e só conseguem dormir se a tiverem consigo.

Assim, de acordo com a observação directa e em conjunto com os princípios do desenvolvimento infantil, Winicott fez uma interpretação quer do comportamento dos bebés, quer do significado desses mesmos objectos para os bebés, considerando que, se o bebé se agarra tanto ao objecto e precisa dele para dormir, significa que o objecto tem uma função na elaboração mental que o bebé faz do seu ambiente externo. Sabendo que agora, a dificuldade com que o bebé precisa lidar é o afastamento da mãe, e consequentemente o seu reconhecimento como pessoa distinta dele. Até aqui a mãe era tudo para a criança, mas a partir de agora ela não vai estar tão presente, daí que esse objecto, fralda ou boneco, vá representar para a criança a mãe em absoluto, dado que ela vai precisar dele quer para se sentir segura, quer para consegui conciliar o sono, exercendo assim uma função quase como de "substituto" da mãe

Neste entendimento, a fralda que a criança segura e cheira, não é apenas uma fralda, é um "bocadinho da sua mãe", ao mesmo tempo que é um objecto externo a si, também é interno porque para o bebé significa o cuidado que a sua mãe tem consigo e com o qual não pode contar naquele momento.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

10 maneiras de inibir o desenvolvimento/autonomia do seu filho

fotografia
O texto que se segue não é da minha autoria. 
Gostaria muito, mas mesmo muito de o ter escrito, de o ter publicado.
Mas como acredito em cada palavra que este psicanalista escreve, assim como no poder da psicologia invertida, bem ao estilo do Pio Abreu em "Como tornar-se doente mental", partilho na integra o artigo, assim só para pensarmos um pouco na nossa vida, na vida dos nossos filhos e obviamente na vida dos nossos pais. Tenho para mim que Freud também teria gostado deste texto. E muito.


Se o elefante soubesse a força que tem, seria o dono do circo, afirma o dito popular. Costumo dizer que filhos são diferentes, eles, em algum momento, descobrem a sua força. Alguns se tornam donos do circo familiar, outros, mais competentes, fundam o seu próprio. Isso é um perigo, devemos inibir estes arroubos de autonomia e independência. Os primeiros sinais deste distúrbio ocorrem quando facilmente eles conseguem dormir na casa dos avós, tias e amiguinhos sem maiores problemas. A reação no primeiro dia de escola é outro indicador importante, quando dão tchau e não olham mais para trás, geralmente é porque atingiram um perigoso grau de autonomia.
Descreverei algumas medidas úteis para inibir o desenvolvimento e a conquista de autonomia dos filhos e assim mantendo-os permanentemente dependentes.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

2 motivos para falar bem do seu filho


créditos de imagem

Quando esperamos o nosso filho, estamos sempre curiosos acerca do seu aspecto físico. Será parecido com  pai ou com a mãe? vai ter cabelo escuro ou claro? os olhos de quem? como vai ser? Então o bebé nasce e pouco a pouco os pais ajustam-se à imagem do bebé real e fazem o luto do bebé imaginário que existia  na sua cabeça. Mas as expectativas acerca da sua maneira de ser, do seu "feitio" também existem. A forma como os pais desejam educá-lo e o que esperam dele contribuem para a formação da sua personalidade, e acreditem que funciona mesmo como uma "programação" do outro. Sim, os pais têm a possibilidade de o fazer, logo mais vale que se faça de forma positiva. Chama-se  a isto, auto-realização de profecias, uma vez que se tornam verdadeiras se forem pronunciadas muitas vezes.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

como os nossos pais

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Conheço muita gente da minha idade, que diz: "Eu sou do tempo...".
Porque nós somos os filhos do tempo, em que brincávamos muito na rua, que ao domingo só íamos para casa às sete da tarde, à hora  que começava o "MacGyver". Que brincávamos a gravar programas de rádio (eu), que achávamos que os "Jogos Sem Fronteiras", eram um serão bem passado, mesmo que a equipa de Portugal perdesse sempre, já sabíamos que era assim e ninguém estranhava, (não sei porque estranham agora) o que interessava era participar. Fazíamos concursos de balões de pastilhas elásticas SuperGorila, etc e tal, vocês sabem, porque tínhamos que nos entreter com alguma coisa e de facto, contentávamos-nos com muito pouco. Porque tínhamos mais amigos na rua do que coisas. Tínhamos mais relações de amizade do que brinquedos. Havia desgostos, mas também havia uma altura para fazer as pazes e sentir que fazíamos um jogo do "Mata" ou da "Cirumba" (escreve-se assim?) e voltava tudo ao que era antes.

Mas nada do que eu disse até agora é novidade, até porque isto é um tema largamente debatido (tanta é a nossa nostalgia) e já deu em apresentações de PowerPoint que reencaminhávamos de uns para os outros e melhor ainda, um programa de rádio, a célebre Caderneta de cromos do Nuno Markl.

Quando dizemos "No nosso tempo é que era", em primeiro lugar significa que já não somos tão novos, olhamos para trás e já passaram 20 anos desde o tempo em que víamos a "Febre de Beverly Hills (ou em inglês, Beverly Hills 90210 alguém se lembra? eu lembro-me do nome Brandon, mas já não sei quem era,  porque Brandon ficou agora gravado na minha memória de outra forma, porque é o nome do vestido de noiva da minha amiga I da marca SanPatrick que nos levou a Oeiras e tentar subornar, convencer a senhora da loja a vendê-lo a quem de direito - longa história). Em segundo lugar significa que, agora já falamos como falavam os nossos pais. E é na parentalidade que está o busílis da questão, é disso que eu quero falar. Ser pais nos anos 80 (os nossos pais) e ser pais no ano dois mil e tal (nós).

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

a problemática colocação da chucha


Pelos vistos, nós por cá enquanto pais não somos lá muito bons nessa árdua tarefa de pôr a chucha num bebé. Aliás, diria até que somos uns incompetentes. Temos provas dadas: o Miguel usou chucha no primeiro mês, bem que continuámos a insistir (para o calar!!??), mas simplesmente o miúdo não lhe achou graça nenhuma porque aquilo não deitava nada... ele próprio um dia vai dizer-nos que aguentou um mês a ver se fazia a vontade aos pais, mas depois percebeu que a vida era dele, a escolha era dele e nós teríamos que nos aguentar.
Com o mano mais novo que tem um mês, a história repete-se: o Mateus não liga nenhuma à chucha, e se está a chorar e alguém lhe põe a chucha é uma ofensa muito grande porque o choro dobra em volume e em desespero.

terça-feira, 29 de julho de 2014

os filhos dos outros




Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o  melhor do mundo são as crianças.
Liberdade
Fernando Pessoa in "Cancioneiro"

Então, e por esta ordem de ideias, quando se trabalha com crianças,  tem-se o melhor trabalho do mundo. Temos o melhor de dois mundos. O mundo pequenino que eles têm, cheio de lógicas, de entusiasmo, de alegria, e o mundo que eles nos dão sem saberem quando nos transportam para as nossas próprias vivências da infância e nos fazem "revisitar-nos" a nós próprios no passado, trazendo ao de cima, mas no interior, mágoas de infância, alegrias e "desalegrias" da escola. Ao olhar para eles vemo-nos a nós.

perdidos e achados